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A importância do contrato de vesting nas Startups: saiba como utilizá-lo para o ingresso de novos sócios.

  • Foto do escritor: Leonardo Gutierrez Alves
    Leonardo Gutierrez Alves
  • 26 de mar. de 2024
  • 7 min de leitura


No universo dinâmico e competitivo das startups, a gestão de recursos humanos e a estruturação societária desempenham papéis cruciais no sucesso a longo prazo. Uma ferramenta essencial nesse contexto é o contrato de vesting. Esse instrumento contratual desempenha um papel relevante na proteção dos interesses das partes envolvidas, tanto na retenção de talentos quando na manutenção do alinhamento de incentivos entre fundadores e membros da equipe. Neste artigo, será explorado a utilidade do contrato de vesting para startups e como ele contribui para o crescimento sustentável dessas empresas inovadoras.



Contrato de vesting o que é

O que é um contrato de vesting?


O contrato de vesting (vestir) é um acordo entre fundadores e membros da equipe que visa regular a distribuição de direitos acionário ao longo do tempo. Em vez de conceder participação total imediatamente, o vesting permite que essas participações sejam adquiridas gradualmente ao longo de um período especificado, em média 4 anos, sujeito a determinadas condições, geralmente relacionadas ao tempo de serviço contínuo ou ao cumprimento de metas específicas (milestones).

 

Importância para as Startups:


1. Retenção de Talentos-Chave:

O contrato de vesting é uma ferramenta poderosa para reter talentos-chave em uma startup. Ao vincular a aquisição de participação acionária ao tempo de serviço contínuo, a empresa incentiva os membros da equipe a permanecerem comprometidos e contribuírem para o sucesso a longo prazo.

 

2. Alinhamento de Interesses:


Uma startup bem-sucedida requer um alto nível de alinhamento de interesses entre os fundadores e os membros da equipe. O vesting garante que todos estejam empenhados no negócio, pois eles precisam cumprir certos critérios para receber sua parcela de participação acionária. Isso promove uma cultura de trabalho em equipe e incentiva todos os envolvidos a trabalharem em prol dos objetivos comuns da empresa.

 

3. Proteção contra Saídas Precoces:


Em muitos casos, fundadores e membros da equipe podem deixar a startup prematuramente, seja por mudança de interesse, conflitos ou outras oportunidades. O vesting oferece proteção nesses cenários, garantindo que a participação acionária não seja concedida integralmente a indivíduos que não contribuíram totalmente para o sucesso da empresa.

 

4. Atração de Investidores:


Investidores valorizam estruturas de governança sólidas e equitativas. O contrato de vesting demonstra aos investidores que a startup tem medidas em vigor para proteger seus interesses e garantir a estabilidade da equipe. Isso pode aumentar a atratividade da startup para investimentos externos.

 

5. Facilita a Saída de Membros da Equipe:


Se um membro da equipe decidir deixar a startup, o vesting também oferece um processo estruturado para a recompra das ações ou participações detidas por esse membro. Isso evita disputas e complicações legais, permitindo uma transição suave.

 

Considerações Finais:


Em resumo, o contrato de vesting é uma ferramenta fundamental para startups, pois promove a equidade, a retenção de talentos, o alinhamento de interesses e a proteção contra saídas precoces. Ao implementar essa prática de governança corporativa desde o início, as startups podem estabelecer bases sólidas para o crescimento sustentável e atrair investimentos significativos. No ambiente altamente competitivo das startups, o vesting se destaca como uma prática essencial para garantir o sucesso a longo prazo.


Perguntas e respostas frequentes (FAQ)


1. O que é um contrato de vesting? 

É um contrato utilizado para viabilizar a aquisição gradual de participação societária por um colaborador, à medida que cumpre requisitos pré-estabelecidos.


2. Qual é o principal objetivo do contrato de vesting? 

O objetivo é incentivar a retenção de talentos e alinhar os interesses dos colaboradores com o sucesso a longo prazo da empresa.


3. Como funciona a aquisição de participação no vesting? 

Funciona de forma gradual, concedendo o direito à participação ao longo de um período específico ou através do alcance de metas estipuladas.


4. Em qual tipo de negócio o vesting é mais comum? 

É muito utilizado em startups em fase inicial (bootstrapping), que precisam atrair talentos altamente qualificados, mas não possuem capital para salários altos.


5. O contrato de vesting possui regulamentação específica no Brasil? 

Não, ele é considerado um contrato atípico, sendo lícito perante o Código Civil (Art. 425) com base no princípio da liberdade contratual.


6. O que é a cláusula de "Cliff"? 

É um período de carência inicial durante o qual o beneficiário não adquire nenhum direito à participação societária, funcionando como um período de teste.


7. Quanto tempo costuma durar o período de Cliff no Brasil? 

O padrão no mercado brasileiro estabelece cliffs que variam de 6 a 12 meses.


8. Qual é a diferença entre vesting e stock options? 

No stock option, outorga-se a opção de compra de ações por um preço predefinido (comum em S/A); no vesting, a participação societária já é reservada e liberada progressivamente, sendo comumente utilizado em sociedades limitadas (startups) através de cunho obrigacional.


9. O que prevê a cláusula de "Good Leaver" (Bom Pagador)? 

É uma cláusula que prestigia o colaborador que sai da empresa mantendo um bom relacionamento, como em aposentadorias ou término de prazo, garantindo a ele a avaliação de sua participação a valor de mercado ou gratificações extras.


10. O que estipula a cláusula "Bad Leaver" (Mau Pagador)? 

Aplica-se ao colaborador que se desliga da empresa descumprindo regras do contrato, fazendo com que sua participação seja avaliada apenas pelo valor contábil ou resultando em perda de benefícios.


11. Como funciona o Vesting Clássico? 

É o modelo tradicional em que o colaborador adquire a participação gradualmente ao longo do tempo (período de vesting) e/ou cumprindo metas, frequentemente após passar por um período de cliff.


12. O que caracteriza o Vesting Reverso? 

Neste modelo, o profissional ou fundador entra na empresa já com a participação integral, mas a empresa pode reter ou recomprar as ações caso ele saia antes do prazo ou não cumpra metas.


13. O que são Phantom Shares (Ações Fantasmas) no vesting? 

É um tipo de contrato em que o profissional não se torna um sócio efetivo da empresa, mas adquire o direito de receber uma compensação financeira equivalente ao valor futuro das ações.


14. Como a Lei da Liberdade Econômica influenciou o vesting no Brasil? 

A Lei 13.874/2019 reforçou a liberdade contratual e determinou que contratos civis e empresariais presumem-se paritários e simétricos, conferindo maior segurança jurídica aos contratos de vesting.


15. Quais são os riscos trabalhistas do vesting? 

Se mal estruturado e sem critérios mercadológicos para compra de ações, o vesting pode ser visto como verba remuneratória, sofrendo incidência de encargos (FGTS, 13º, férias), além do risco de reconhecimento de vínculo trabalhista.


16. Como funciona a tributação do vesting? 

Deve-se observar a onerosidade e o risco: se configurada como ganho de capital, a diferença entre o valor de aquisição e venda sofre tributação de 15% de imposto de renda, mas doações mascaradas ou aquisições sem custo podem ser autuadas como remuneração com incidência de IRF.


17. O vesting substitui a remuneração ou o contrato de trabalho? 

Não, o vesting não tem natureza remuneratória, mas sim mercantil, e não deve substituir contratos de trabalho ou de prestação de serviços.


18. O que é a cláusula de aceleração? 

É uma disposição contratual que antecipa (acelera) a aquisição da participação pelo colaborador quando ocorrem eventos de liquidez, como a venda da empresa ou recebimento de grandes investimentos.


19. Para que serve a cláusula de Lock-up? 

Ela cria uma limitação temporal para o colaborador, determinando um período durante o qual as ações adquiridas não podem ser alienadas, cedidas ou vendidas.


20. Qual é a importância da cláusula de recompra? 

Ela assegura que a empresa tenha o direito de readquirir a participação de sócios que deixaram a organização, evitando que a startup fique com sócios "fantasmas" no quadro acionário.


21. O que ocorre se o colaborador falecer durante a vigência do vesting? 

Conforme exemplos de modelos contratuais, as ações não adquiridas até a data do óbito são canceladas e não passam aos herdeiros.


22. Como o vesting trata a rescisão por justa causa? 

Em casos de rescisão por justa causa, o colaborador perde automaticamente o direito de adquirir todas as ações não consolidadas até a data do desligamento.


23. O vesting pode ser utilizado para fundadores da empresa? 

Sim, especialmente utilizando o Vesting Reverso, protegendo a startup contra a saída prematura de fundadores (sócios majoritários) que poderiam prejudicar o negócio ao levarem grande participação sem contribuir a longo prazo.


24. Como o vesting auxilia o fluxo de caixa das empresas? 

O mecanismo reduz a necessidade de desembolso imediato de altos salários, pois parte da recompensa pelo trabalho é paga no futuro através da participação acionária.


25. O que prevê a cláusula de Tag Along num contrato de vesting? 

Ela protege os acionistas minoritários, garantindo o direito de venderem suas ações pelas mesmas condições e preços ofertados aos majoritários caso haja venda do controle da empresa.


26. Como devem ser estabelecidas as metas no contrato? 

Para evitar subjetividades e conflitos jurídicos, devem ser adotadas métricas claras, quantificáveis e prazos precisos, além de indicadores documentados de desempenho.


27. O que acontece se a relação acabar antes do término do Cliff? 

Se o colaborador ou a empresa optarem por rescindir o contrato durante o Cliff, a relação é rompida sem que ele adquira nenhum direito sobre o equity ou a qualquer indenização referente à participação societária.


28. Quais os riscos relacionados ao "cap table" no uso indiscriminado do vesting? 

A falta de um planejamento adequado do vesting pode gerar a pulverização ou diluição excessiva do capital social da empresa, o que prejudica seriamente a atração de futuros investidores e a tomada de decisões.


29. O vesting resolve problemas preexistentes entre sócios de uma startup? 

Não, é impossível prever entrada de terceiros se os próprios donos não se entendem; um bom acordo prévio de sócios (resolvendo a relação interna) é fundamental antes de instituir o contrato de vesting.


30. Se a empresa for à falência, o que ocorre com o beneficiário do vesting? 

Em cenários de insolvência, o contrato pode determinar que o colaborador atue como credor e tenha o direito a receber o valor de mercado das ações ainda não adquiridas até a data da falência.


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